Luana Furtado é a pessoa da foto acima e é também aquela que responde pela autoria desse blog. Você encontrará por aqui um pouco do que se passa na cabeça dela. Mas, é claro, apenas o que ela considera conveniente compartilhar. E ela gostou desse negócio de falar na terceira pessoa. Continue lendo...
Catching Elephant, tema feito por Andy Taylor
(cc) crédito: Luana Furtado
Foi nesse clima descontraído e simpático que Zelito Viana chegou ao Cinema Nosso para falar de seu filme que acabara de ser exibido “Augusto Boal e o Teatro do Oprimido”. Para quem não está familiarizado, como eu não estava até me preparar para essa entrevista, Zelito é irmão do Chico Anysio e pai do Marcos Palmeira. Mas seria até pecado apresentá-lo por seu parentesco, sabendo que este cara ajudou a criar o Cinema Novo ao fundar, junto com o Glauber Rocha e com o Walter Lima Jr, a Mapa Filmes – histórica empresa que produziu os filmes do Glauber e de outros grandes nomes da época.
Ele falou sobre o paradoxo entre a diminuição do número de salas de cinema no Brasil e o aumento da quantidade de produções audiovisuais, provocado pela facilidade ao acesso da tecnologia necessária para se fazer um filme de boa qualidade nos dias de hoje.
Zelito acredita que a maior dificuldade de penetração do cinema brasileiro no mundo é a língua. “Os franceses inventaram o cinema, mas os americanos criaram o público. É exatamente por isso que nós temos que lutar, pelo menos dentro do nosso mercado, para que os filmes brasileiros tenham um desempenho melhor”, diz Viana.
Ao ser questionado sobre o que ficou de essência da Mapa Filmes, fundada em 1965, para a que atua hoje no mercado audiovisual brasileiro, Zelito diz que está no fato de fazer filmes para aprender. “Você não vai sair do cinema do jeito que entrou depois de assistir a um filme da Mapa. Eles são feitos para isso, para provocar ou ensinar alguma coisa”, completa.
O sonho de fazer com que Augusto Boal trabalhasse na preparação de seus atores, levou Zelito a gravar uma série de vídeos que se transformaram, após a morte do dramaturgo, no documentário “Augusto Boal e o teatro do oprimido”.
Boal acreditava que todos os seres humanos são atores porque atuam e espectadores porque observam, e fez dessa crença a essência de um movimento de transformação social: o Teatro do Oprimido.
“A natureza permite a vida, mas exige a morte. Então, tudo é transitório.” – Augusto Boal
Nota de rodapé: Ainda dá tempo de assistir! Última sessão do filme no Festival do Rio é hoje, 19h30, no Ponto Cine, em Guadalupe.